quarta-feira, 27 de junho de 2012

A Solenidade de Corpus Christi e o Mistério Eucarístico

No último dia 02 de Junho a Igreja celebrou a festa do Corpo e Sangue de Cristo, a qual por sua vez, expressa, o significado do culto ao mistério eucarístico da Igreja Católica, significado esse que foi muito bem expresso pelo magistério da igreja, no concílio vaticano II do seguinte modo: A Santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa”. (Presbyterorum ordinis, 5).
É claro que o culto que a Igreja Católica reservou, reserva e reservará a Santíssima Eucaristia, não tem expressão, apenas na solenidade acima citada, mas mediante toda a vida da Igreja, isso porque a identidade da Igreja é eucarística.  No entanto, o que esse artigo quer ressaltar é que devido as suas origens e a sua história a solenidade de Corpus Christi, torna-se uma juntamente com a missa uma expressão singular da eucaristia como mistério, que como tal, está muito além da compreensão da racionalidade humana, e por causa disso é compreensível apenas mediante a fé.
Esta solenidade tem sua origem no milagre eucarístico de Bolsena, onde em 1263 (ou 1264) aconteceu o famoso Milagre de Bolsena: um sacerdote que celebrava a Santa Missa teve dúvidas de que a Consagração da hóstia fosse algo real. No momento de partir a Sagrada Hóstia, viu sair dela sangue, que empapou o corporal.
Nesta perspectiva, é possível perceber então, que a hóstia e o vinho consagrados estão envoltos de um mistério e de uma grandeza majestosa que está muito além da compreensão humana, logo diante de tamanho mistério e considerando que a realidade é em si pecadora, o ser-humano, assim como diz o magistério da igreja: só pode repetir humildemente e com fé ardente a palavra do Centurião: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo”. ( Catecismo da Igreja Católica, 1386 ).
Ronaldo Rosa de Oliveira

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Só em Deus teremos Fortaleza

Ela é um dom que aperfeiçoa a virtude da fortaleza, dando à vontade um impulso e uma energia, que lhe permite fazer ou sofrer alegre e decididamente grandes coisas, diante de todos os obstáculos.
Difere da virtude em provir não dos nossos esforços auxiliados pela graça, mas da ação do Espírito Santo que se apodera da alma pelo alto e lhe dá um império particular sobre as dificuldades inferiores e sobre as dificuldades externas. Por tal razão, Santo Estevão é destacado pela Sagrada Escritura, como aquele que estava cheio de fortaleza, porque estava cheio do Espírito Santo.
Podemos recorrer a dois atos para experimentar em vida esse dom tão necessário. São eles: O agir e o sofrer. Agir sem medo diante das situações mais difíceis, como exemplo, praticar o recolhimento perfeito diante de uma vida movimentada, como São Vicente de Paulo, Santa Rita de Cássia ou Santa Tereza; guardar a castidade nos encontros mais estranhos diante do projeto de vida em Deus como Santo Tomás de Aquino e São Carlos Borromeu; permanecer humilde no meio das honras, como
São Luiz; enfrentar os perigos, as fadigas, a preguiça, a doença ou até mesmo a própria morte, como São Francisco Xavier; trazer no coração o respeito humano, desprezar as coisas mundanas, como São João Crisóstomo, que não temia senão uma coisa: o pecado. O martírio é considerado como ato por excelência dom de fortaleza, pois se dá a Deus o bem mais precioso, a própria vida; mas derramar o sangue, consumindo-se por completo pelo próximo, como fez São Paulo, tantos humildes sacerdotes e fieis leigos. Eis um martírio ao alcance de todos.
Exercitar a fortaleza é, portanto lançar cuidadosamente mão das mil pequeninas circunstancia em que pela continuidade do esforço, se pode exercitar a fortaleza e a paciência, citemos:  submeter-se a uma regra já pela manha até a noite; esforçar-se nas orações e devidos recolhimentos; guardar o silencio; mostrar-se amáveis com aqueles que lhes são naturalmente antipáticos; suportar situações embaraçosas sem irritações e contradições; triunfar sobre as paixões desordenadas; agir contra tudo aquilo que o arrasta para atos de depressão ou solidão.Dessa forma teremos conosco o tão necessário dom da Fortaleza.
Deus nos abençoe !

Seminarista Leonardo Oliosi Mazim

terça-feira, 12 de junho de 2012

São João batista e o Ministério Presbíteral

No próximo dia 24 de Junho a Igreja Católica celebrará a festa de São João Batista, o qual é lembrado por duas características que marcaram a forma como ele anunciou o Evangelho. Tais características estão presentes também no ministério sacerdotal, que são, respectivamente: a sua obediência incondicional a Deus, e o modo como ele sempre se apresentava ao povo, ou seja, como aquele que aponta o caminho a ser seguido, para que assim, seja possível fazer a vontade do seu Mestre, que é o próprio Cristo. A partir dessas perspectivas, surge então duas frases, que se sobressaem quando se fala de São João batista: “é preciso que se cumpra toda a justiça” (cf. Mt 3, 15) e “é preciso que eu suma para que ele apareça” (cf. Jo 3, 29), as quais salientam respectivamente as duas dimensões da vida do santo, referidas à cima.
Tomando como ponto de partida, essas duas características, o referido santo surge, então, como exemplo a ser seguido por todos os cristãos, como modelo de cristão autêntico e, sobretudo como modelo para os vocacionados e todos aqueles que almejam o ministério presbiteral. Isso porque, por um lado, ele se colocou sempre obediente ao Projeto do Pai, o que fica muito claro quando o evangelista Mateus relata o batismo de Jesus (cf. Mt 3, 13-17). E por outro lado, se apresentava sempre de forma humilde apontando o caminho a ser seguido pelo povo. E é exatamente istto que o padre tem a responsabilidade de fazer: ele por si só, não é o caminho, mas como pastor de ovelhas, ele aponta o caminho para chegar a Deus.

Sem. Ronaldo Rosa De Oliveira

terça-feira, 5 de junho de 2012

A Mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial das Comunicações Sociais e o Decreto do Concílio Vaticano II para a Atividade Missionária da Igreja (Ad Gentes)

No último dia 20 de maio, o nosso sumo pontífice, o Papa  Bento XVI, escreveu uma mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais. Nessa mensagem, ele elenca dois momentos da comunicação: silêncio e palavra, os quais, por sua vez, devem se equilibrar a fim de obter um dialogo autêntico e uma união profunda entre as pessoas. Quando esses dois momentos se afastam, geram certo aturdimento ou indiferença, o que é, para nós católicos, um erro significante, uma vez que no Decreto do Concílio Vaticano II sobre a Atividade Missionária da Igreja – “Ad Gentes” – aponta-se que os fiéis católicos são imbuídos da missão de anunciar o Cristo para aqueles que ainda não o conhecem.
Nesse perspectiva, é possível perceber que, silêncio e palavra constituem, então, duas asas para a comunicação e, consequentemente, a atividade missionária da Igreja se eleva com o objetivo de promover a comunhão entre os filhos de Deus.  De acordo com o Papa, “o silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras densas de conteúdo”. Desta forma, o silêncio na comunicação da Igreja Católica torna-se indispensável, visto que, sem ele, apresenta-se o erro de falar de forma completamente superficial de Deus, o qual é um mistério e, enquanto tal, está além da compreensão da racionalidade humana.
Segundo o Sumo Pontífice, “Grande parte da dinâmica atual da comunicação é feita por perguntas à procura de respostas, e o homem de hoje vê-se, frequentemente, bombardeado por uma quantidade exacerbada de informações”. Por outro lado, o decreto do Concílio Vaticano II mostra que a atividade missionária se torna cada vez mais exigente devido a uma crescente diversidade cultural e social, as quais trazem consigo novas exigências para a missão da Igreja. Nesta perspectiva, o silêncio surge então como precioso instrumento para favorecer o necessário discernimento entre essas muitas informações da comunicação atual, que por sua vez, são provenientes dessa diversidade cultural, social e politica citada pelo decreto “Ad Gentes”, e favorecem a seguinte interrogação para o cristão: “essa informação será capaz de me edificar como pessoa e como cristão ou não?”.
Em suma, o Papa Bento XVI , salienta esses dois momentos, como forma de produzir uma boa comunicação, e isto é necessário para se colocar em prática aquilo que os bispos do Concílio Vaticano II exortaram os cristãos a fazer: Anunciar o cristo sobretudo a aqueles que ainda não o conhecem!
Sem. Ronaldo Rosa De Oliveira

quinta-feira, 31 de maio de 2012

MÊS DE MAIO MÊS DE MARIA- PARTE II



Venerar Maria baseia-se na dignidade de Mãe de Deus e nas consequências que de daí brotam. O Pai trata-a com maior respeito: “Ave cheia de graça, o Senhor é contigo, (...) encontraste graça diante de Deus” (Lc 1,30-31), e pede-lhe seu consentimento na obra da Encarnação, a qual tão intimamente a quer associar; o Filho respeita-a, ama-a como sua Mãe e obedece-lhe; o Espírito Santo vem a Ela e nela tem as suas complacências. Venerando a Maria, não fazemos, pois, senão associar-nos as três divinas Pessoas, PAI-FILHO E ESPÍRITO SANTO e estimar o que Elas estimam. A veneração a Maria deve ser maior que a que temos com os Anjos e Santos. Por razões óbvias, pois Ela, pela sua dignidade de Mãe de Deus, pela sua missão de ser Mediadora entre nós e Jesus, pela sua santidade, sobrepõe-se diante de todas as criaturas, desta forma o culto a Maria, é superior aquele que se dá aos Anjos e Santos. Rezemos o santo terço todos os dias!
Deus nos abençoe!
Seminarista Leonardo Oliosi Mazim
3ª Ano de Filosofia

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A busca pela santidade

A vida de todo cristão, consiste primeiramente na busca constante pela santidade a qual tem que ser o fim último da vida do mesmo, para que assim ela tenha sentido. Nesse sentido o caminho percorrido pelo cristão ao decorrer da sua vida deve ser e constituir-se pela busca ou construção da salvação.
Portanto a santidade tem que ser a meta final da vida do cristão e devido a isso deve ser considerada como objetivo maior a ser alcançado, porém isso não pode ser considerado como coisa que será vivida apenas em um futuro distante, mas como um sim que é dito para Deus, a cada dia através das atitudes.
Neste sentido viver a santidade no momento presente significa colocar como um ser - humano que está sendo construído por Deus e que ao mesmo tempo tem a responsabilidade de se auto-construir a parti de um modelo que deve ser a pessoa de Jesus.
Por outro lado a busca pela santidade significa também ser humilde diante de Deus concebendo-o como o único senhor do universo o que é contrario a idéia de santidade concebida como perfeição.

Seminarista Ronaldo Rosa de Oliveira

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A SAGRADA ESCRITURA




A carta aos Hebreus mostra-nos todo o poder da Palavra de Deus, as Sagradas Escrituras: “Porque a Palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante que uma espada de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do corpo, e das juntas e medulas e discerne os sentimentos e pensamentos do coração. Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a quem haveremos de prestar conta” (Hb 4,12-13).
Ai esta o poder da Palavra de Deus. Ela tem tão grande poder por que é Palavra de Deus e não humana. Isto nos garante o Apostolo: Por isso também damos graças sem cessar a Deus porque recebeste a Palavra de Deus, que de nós ouvistes. vós a recebestes não como palavra de homens, mas como realmente é: Palavra de Deus, que age eficazmente em voz que crestes (I Tess 2,13).
Gostaria de destacar isso: ‘que age eficazmente em voz que crestes’. A santa palavra de Deus opera (realiza o que significa) naquele que crê, naquele que recebe e acolhe como palavra de Deus. Ali ela dá muitos frutos. O Espírito Santo nos ensina essa verdade, pelo profeta Isaias; cuja boca tornou “semelhante a uma espada afiada” (Is 49,2): tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não voltam sem ter regado a terra, sem a ter fecundado, e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim acontece a palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido o efeito, sem ter executado a minha vontade e cumprido a minha missão (Is 55,10). A Palavra de Deus é transformadora, santificante. São Paulo explica isso a seu jovem discípulo Timóteo, com toda convicção: “Toda a Escritura é espirada por Deus, é útil para ensinar, para persuadir, para corrigir e formar na justiça” (II Tm 3,16). Ela é, portanto um instrumento indispensável para a nossa santificação. Não conseguiremos ter ‘os mesmo sentimentos de Cristo’ (Fil 2,5) sem ouvir, ler, meditar, estudar e conhecer a sua Santa Palavra. São Jerônimo, que traduziu a Bíblia do grego e do hebraico para o latim (Vulgata), dizia que “que não conhece o evangelho não conhece a Jesus Cristo”.
Jesus nos ensina que “a Escritura não pode ser desprezada” (Jo 10,34). Ele teve profundo respeito e veneração por ela e empregou muitas vezes. Ao ser tentado no deserto, foi exatamente com o auxilio das Escrituras que ele se defendeu, lançando de cada vez, no rosto de Satanás, a Palavra de Deus. O tentador fazia de tudo para afastá-lo de sua missão de Salvador dos homens, na forma do “Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo” (Jo 1,29-36), na forma de “Servo de javé”, que deveria morrer na cruz. O inimigo queria desviá-lo da missão sagrada que o Pai lhe tinha confiado e, para isso, quer arrastá-lo a um messianismo terreno, glorioso, temporal, cheio de fama e sucesso.
Quando ele sugeriu a Jesus, transformar as pedras em Paes ouve do Senhor esta sentença: ‘Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda a Palavra que procede da boca de Deus’ (Deut 8,3), (Mt 4,4). Na segunda investida o salteador maldito quer levar Jesus a jogar-se do alto do templo para ser sustentado pelos Anjos, de maneira exibicionista, (Sl 90,11-12); e o Senhor lhe diz: ‘Está escrito: Não tentará o Senhor teu Deus’ (Deut 6,16). Por fim ele quer fazer Jesus adorá-lo em troca de todos os reinos do mundo; então o Senhor é enfático: ‘Para trás Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a Ele servirás’ (Deut 6,13).
É impressionante notar que Jesus repetiu três vezes esta sentença: ‘Está escrito’ [nas Escrituras], e Satanás recua incontinente, pois se trata da eficaz e poderosa Palavra de Deus, que ele não tem força e nem capacidade de contestar e reagir contra ela. E a narração termina dizendo que: O demônio o deixou’ (Mt 4,11).  Que poder tem a Palavra de Deus! Se Jesus a utilizou assim como uma arma espiritual na luta contra o tentador, quanto mais nós precisamos dela! Assim, é importantíssimo o estudo da Bíblia, de maneira sistemática e organizada, através de um curso Bíblico. É preciso trazer a Palavra de Deus no coração, para poder sacá-la, na hora da tentação, como Jesus fez para nos dar o exemplo.
 Contudo, á Bíblia não é um livro caído do Céu, e não foi ditada mecanicamente por Deus ao autor Bíblico, mas é um livro que passou pela vida e pela mente de Judeus e Gregos, ou seja, é um livro humano e divino, todo de Deus e todo do homem, e que transmite o pensamento de Deus, mas de forma humana, ela deve guiar a vida de todo o Cristão, pois ‘conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’ (Jo 8,32).
Seminarista Jones dos Santos

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Mês De Maio, Mês De Maria. Parte I


Estamos no mês em que a Santa Mãe Igreja dedica de uma forma carinhosa a Maria Santíssima, Mãe de Deus, e Mãe nossa. O desempenho do papel de Maria é tão importante, que somos impulsionados a uma grandíssima devoção. Esta palavra quer dizer dedicação, e dedicação que dizer dom de si mesmo. Seremos, pois, devotos de Maria se nos dermos por completamente a Ela e, por Ela, a Deus. Nisto não faremos senão imitar o próprio Deus. Vejam, não adoramos Maria, e Sim a Deus. Imitamos somente a Deus que se nos da o seu Filho por intermédio de Maria. Daremos a nossa inteligência pela veneração mais profunda, a nossa vontade pela consciência mais absoluta, o nosso coração pelo amor mais filial, inteiramente todo o nosso ser pela imitação mais perfeita, que for possível, das suas virtudes, pois Ela também imitou a Deus, e suas virtudes foram todas, dom de Deus, e por isso ela pode Cantar: “A minha alma engrandece ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.” (Lc 1, 46, 49). Rezemos o Santo terço diariamente. Rezar o terço faz um bem tremendo para a nossa vida.

O Senhor nos abençoe!



Seminarista Leonardo Oliosi Mazim

3º ano de Filosofia

quarta-feira, 2 de maio de 2012

NA ESCOLA DE MARIA, MULHER EUCARÍSTICA.




Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48)
A Santíssima Virgem “é legitimamente honrada com um culto especial pela Igreja”. Com efeito, desde remotíssimos tempos, a bem-aventurada Virgem é venerada sob o titulo de ‘Mãe de Deus’, sob cuja proteção os fiéis se refugiam suplicantes em todos os seus perigos e necessidades.
Este culto embora inteiramente singular difere essencialmente do culto de adoração que se presta ao verbo encarnado e igualmente ao Pai e ao Espírito Santo, mas o favorece poderosamente; este culto encontra sua expressão nas festa litúrgicas dedicadas a Mãe de Deus e na oração mariana, tal como o Santo Rosário, “resumo de todo o Evangelho”. Na devoção mariana o Rosário assumiu um lugar de relevo, que através da repetição das “Ave-Marias”, leva a contemplar os mistérios da fé. Também esta oração simples, alimentando o amor do povo cristão para com a Mãe de Deus, orienta de maneira mais clara a prece mariana para a sua finalidade: a glorificação de Cristo.
A Igreja, vendo em Maria o seu modelo, é chamada a imitá-la também na sua relação como o mistério do Santíssimo Sacramento. Misterium fidei! Se a Eucaristia é mistério de fé que excede tanto a nossa inteligência que nos obriga ao mais puro abandono a Palavra de Deus, ninguém melhor do que Maria pode servi-nos de apoio e guia nesta atitude de abandono. Todas as vezes que repetimos o gesto de Cristo na Última Ceia dando cumprimento ao seu mandato: “Fazei isto em memória de mim”, ao mesmo tempo acolhemos o convite que Maria nos faz para obedecermos a seu Filho sem hesitação: “Fazei o que ele vos disser” (Jo 2,5). Com a solicitude materna manifestada em Caná, ela parece dizer-nos: “Não hesiteis, confiai na palavra de meu Filho. Se ele pôde mudar à água em vinho, também é capaz de fazer do pão e do vinho o seu Corpo e Sangue, entregando aos crentes, neste mistério, o memorial vivo da sua Páscoa e tornando-se assim ‘pão de vida’”. De certo modo, Maria praticou sua fé eucarística ainda antes de ser instituída a Eucaristia, guando ofereceu o seu ventre virginal para a encarnação do Verbo de Deus.
A Eucaristia, ao mesmo tempo em que evoca a paixão e ressurreição, coloca-se no prolongamento da encarnação. E Maria, na anunciação, concebeu o Filho divino também na realidade física do Corpo e do Sangue, em certa medida antecipando nela o que se realiza sacramentalmente em cada crente quando recebe, no sinal do pão e do vinho, o Corpo e Sangue do Senhor. Existe, pois uma profunda analogia entre o Fiat pronunciado por Maria, em resposta às palavras do Anjo, e o Amém que cada fiel pronuncia quando recebe o Corpo do Senhor. A Maria foi lhe pedido para acreditar que Aquele que Ela concebia “por obra do Espírito Santo” era o “Filho de Deus” (cf. Lc 1,30-35).
Dando continuidade à fé da Virgem Santa, no mistério Eucarístico é-nos pedido para crer que aquele mesmo Jesus, Filho de Deus e Filho de Maria, Torna-se presente nos sinais do pão e do vinho com todo o seu ser humano-divino. “Feliz daquela que acreditou” (Lc 1,45).

Seminarista Jones dos Santos.